Dança flamenca é o seu negócio

Bailarina e professora Daniela Varejão despertou para a modalidade aos 10 anos, quando estudava balé clássico. (Foto: Eisner Soares)
Bailarina e professora Daniela Varejão despertou para a modalidade aos 10 anos, quando estudava balé clássico. (Foto: Eisner Soares)

A descendência foi um incentivo decisivo para o futuro de Daniela Varejão. A mogiana é filha da espanhola Otilia Moreira e, quando criança, decidiu que se formaria em balé clássico. Mas foi na escola de dança que, aos dez anos, conheceu o flamenco e, com o apoio da matriarca, decidiu tentar. A partir dali, o pensamento passou a ser quase que exclusivamente no estilo espanhol. Ela ainda chegou a se formar no balé, mas, atualmente, é professora e proprietária da primeira e única escola especializada em dança flamenca na Região do Alto Tietê. É a Ballet Flamenco Daniela Varejão, que fica no centro de Mogi das Cruzes.

Trabalhar com dança nunca foi uma dúvida, Daniela sempre soube que esta era a carreira que gostaria de seguir. Ela só não imaginava que o flamenco seria escolhido. O estilo, na época ainda menos conhecido, dificultou para que a mogiana encontrasse espaço para trabalhar na Cidade. Ela foi, então, dar aulas em algumas escolas da Capital. Por quatro anos continuou ensinando em outras escolas e até chegou a voltar para Mogi, trabalhando em locais que ensinavam a dança no geral, mas que não eram especializados em flamenco.

Em 2010 abriu o próprio estúdio, mas o começo foi difícil e Daniela contava com apenas duas alunas. No mesmo ano, uma apresentação da dançarina na Virada Cultural de Mogi das Cruzes fez com que o público conhecesse um pouco mais do estilo e começasse a procurar a escola especializada. Durante estes sete anos de funcionamento, a bailarina acredita que o número de alunos – que muitas vezes chega pelo boca a boca – vem aumentando, hoje são 25, mas que a dança flamenca ainda não é tão conhecida como deveria ser.

As turmas são formadas sempre por adultos, de aproximadamente 25 anos para cima. Ela explica que a idade não é um empecilho e que chegou a ter uma aluna de 76. Já as crianças não costumam se interessar por não ser algo que esteja constantemente na mídia e ela acredita que os pequenos gostam daquilo que está na moda.

Para ter a técnica cada vez mais aperfeiçoada, Daniela não deixa de estudar. Sempre que possível ela faz workshops com professores espanhóis que vêm para São Paulo. Neste ano, ela teve a chance ainda de fazer um curso na Espanha. Ela conta que as aulas foram intensas – aconteciam cinco horas por dia, de segunda a sexta -, mas também fundamentais para a evolução profissional. A mogiana foi estudar na Europa graças a uma bolsa de estudos, mas a ida exigiu esforços. Ela passou a fazer coxinhas veganas e vender, para que pudesse juntar o dinheiro necessário para ir. Os salgadinhos fizeram tanto sucesso que hoje algumas pessoas ainda encomendam. Daniela conta que, então, ainda vende os quitutes, mas em menor escala.

A bailarina é também quem gerencia a escola e afirma estar sempre bastante atribulada. Por isso, quando tem um tempo livre, gosta de estar em casa, na companhia dos gatos e cachorros. (Larissa Rodrigues especial para O Diário)

Curto-Circuito
Viver em Mogi é… Estar perto da praia

O melhor da Cidade é… Ser uma cidade com ar de interior mas que tem toda estrutura de uma cidade grande

E o pior? A logística do nosso trânsito é péssima

Sinto saudade do… Nosso cachorro Frolly

Encontro paz de espírito… Em casa

Pra ver e ser visto… Minha série preferida, Friends

Meu prato preferido é… Qualquer tipo de massa

Livro de cabeceira… Amy, a vida da cantora contada pelo seu pai

Peça campeã de uso do meu guarda-roupa? Vestido preto básico

O que não tem preço? Ser uma pessoa apaixonada pela vida e por tudo

Uma boa pedida é… Descer pra praia no meio da semana

É proibido… Não ter gratidão

A melhor festa é… Quando chego em casa e vejo meus cachorros

Convite irrecusável… Uma viagem de última hora

O que tem 1001 utilidades? Acho que eu mesma rsrsrs

Meu sonho de consumo é… Uma casinha simples em uma praia paradisíaca

Qual foi o melhor espetáculo da minha vida? Dançar no tablao mais antigo e importante da Espanha.

Cartão-postal da Cidade… Nossa Serra do Itapety

O que falta na Cidade? Menos monopolização da arte, mais união entre os artistas, mais acesso e difusão da arte em geral.

Qual é a química da vida? ARTE!

Deus me livre de… Passar 1 minuto sem sorrir!

Natan Lira

Natan Lira

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