Captur roda entre moderno e antigo - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Captur roda entre moderno e antigo

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DOIS MUNDOS Visual do Renault Captur agrada por sua modernidade. Pena que motor e transmissão sejam antigos e o inteior seja tão pouco refinado

 Renault prometeu apostar nos SUVs em 2017 no Brasil. E começou essa estratégia com o lançamento do crossover Captur, em fevereiro. Quando se sabe que o modelo usa a mesma base do Duster – e isso é facilmente notado em seu interior -, seu visual impacta ainda mais. O porte avantajado se destaca a ponto de, à primeira vista, nem parecer se tratar de um crossover compacto. O design é contemporâneo, alinhado ao modelo vendido na Europa, e traz uma combinação interessante de musculatura e elegância. Ja o propulsor é o antigo 2.0 litros usado no Duster e o câmbio automático tem apenas quatro marchas.

O habitáculo, no entanto, decepciona. É ao entrar no Captur que se percebe sua ligação direta com o Duster, lançado no Brasil em 2009. Os plásticos são rígidos e rugosos e chamam mais atenção que os detalhes em “black piano” e cromados presentes. A falta de refinamento é evidente demais para um carro que, completo, sai da loja por mais de R$ 90 mil.

Até o banco de couro é pago à parte, algo um tanto inadequado para a sua faixa de preço. E, assim como no Duster, os botões que acionam o controle de cruzeiro e o modo Eco ficam obstruídos sob o freio de mão. Por outro lado, o espaço é bom e o porta-malas, com 437 litros, se mostra bem proveitoso para viagens em família ou compras de mês no supermercado.

O motor 2.0 litros de 143/148 cv com gasolina/etanol move o crossover com competência, mas não há sobras. A transmissão automática é antiga e tem apenas quatro velocidades, sendo preciso contar com reduções bruscas para garantir ultrapassagens e retomadas mais seguras. Nesses momentos, o barulho do propulsor invade a cabine de maneira irritante e atrapalha o conforto a bordo.

Renault Captur (Fotos: Divulgação - Autopress)

Renault Captur (Fotos: Divulgação – Autopress)

O propulsor passou por mudanças no ano passado. Entre as novidades, destaca-se o sistema Energy Smart Management, de regeneração de energia, que faz o motor continuar girando sem consumir combustível durante a desaceleração do carro, quando o motorista retira o pé do acelerador. Nesse momento, o alternador passa a recuperar energia e a enviá-la para a bateria, que aumenta sua carga sem consumir combustível.

Com isso, durante a aceleração o alternador não precisa extrair energia do motor para enviar à bateria, já que houve a carga na desaceleração. Além disso, há a função Eco Mode, ativada por um botão localizado abaixo da alavanca de câmbio. Ela altera os padrões de desempenho do motor, resultando, segundo o fabricante, em uma economia que pode chegar a até 10%.

Nas curvas, o Captur se mostra bem equilibrado, mesmo em velocidade elevada. Apesar da altura, o modelo não aderna muito e mantém a trajetória com facilidade. Além disso, o crossover conta com controle eletrônico de estabilidade de série. Não que o motor propicie grandes exageros, mas já é uma garantia a mais de segurança.



Além do design, o principal chamariz do Captur Intense é sua boa lista de itens de série que engloba, inclusive, controles eletrônicos de estabilidade e tração e airbags laterais. As rodas de liga-leve, de 17 polegadas, são diamantadas. E a chave é presencial, no formato “cartão” já adotado em modelos como o sedã médio Fluence, no Brasil.

Retrovisores externos com ajustes e rebatimento elétricos, ar-condicionado automático, direção eletro-hidráulica, controle de cruzeiro, computador de bordo, sistema multimídia com tela de sete polegadas, camera de ré, sensores de chuva e de luminosidade e faróis de neblina com função de iluminação lateral também saem na configuração, de fábrica. De opcionais mesmo, só revestimento em couro e pintura em dois tons. Os preços começam em R$ 88.490 e chegam a R$ 91.390 com os dois itens.

Apesar de uma relação custo/benefício até favorável, suas vendas ainda estão bem abaixo dos rivais. Em março, seu primeiro mês cheio, conseguiu 686 emplacamentos totais. É cerca de um terço do que o próprio Duster consegue. (Márcio Maio/AutoPress)

  • Renault Captur
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    Renault Captur
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    Renault Captur

(Fotos: Divulgação – Autopress)

Desempenho – O motor 2.0 16V de 143/148 cv com gasolina/etanol que move o Captur é o mesmo das configurações de topo do Duster. Ele impulsiona o carro de maneira correta, sem sobras ou faltas. O torque máximo, de 20,9 kgfm com etanol, só aparece em 4 mil giros, mas o carro se mostra mais ágil bem antes disso. O câmbio automático de quatro marchas joga as rotações para cima o tempo todo, garantindo um desempenho até bom, mas que cobra um consumo de combustível alto quando se exige mais do propulsor. Nota 7

Estabilidade – Apesar de ser um carro alto, o Captur se mantém bem equilibrado e não aderna em curvas. Mesmo assim, ao contrário do Duster, com quem compartilha a plataforma, ele já traz controle eletrônico de estabilidade, que ajuda a garantir uma segurança extra. A direção tem bom peso e, de maneira geral, o crossover se sai bem. Nota 8

Interatividade – O interior é simples e os comandos são, em sua grande maioria, bem localizados. A exceção fica por conta da tecla Eco – que corta parte da força do motor em favor da economia de combustível – e do controle de cruzeiro, localizados abaixo do freio de estacionamento e, por isso, dificultando o acesso durante a viagem. Mas a central multimídia é boa e, com um pouco de familiaridade, dá para se virar bem na cabine. Nota 8

Consumo – O Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro não divulgou dados sobre o Renault Captur 2.0, mas ele utiliza o mesmo motor do Duster 2.0 automático e os dois pesam basicamente a mesma coisa. O Duster registrou 6,0/7,1 km/l com etanol na cidade/estrada e 9,0/10,4 km/l com gasolina, nas mesmas condições. O resultado foi consumo energético de 2,33 MJ/km e notas “A” em sua categoria e “C” no geral. Nota 7

Tecnologia – A plataforma do Captur é a mesma do Duster, que é de 2002. O motor também é compartilhado e o câmbio automático, com apenas quatro velocidades, é antiquado. A versão de topo Intense traz itens de série satisfatórios, incluindo controle eletrônico de estabilidade e airbags laterais. Nota 7



Conforto – O espaço é bom para pernas e cabeças, tanto à frente quanto atrás. A suspensão absorve bem os desníveis dos pisos brasileiros e o isolamento acústico é bom. Quase não se ouve o barulho do motor quando não se recorre às reduções bruscas de marcha. Nota 8

Habitabilidade – A Renault, de maneira geral, não oferece muitos porta-objetos no interior de seus veículos. Mas os do Captur são suficientes para levar o que é preciso estar à mão dos passageiros. Quatro passageiros viajam com folga, sem depender da boa vontade dos ocupantes dianteiros. O porta-malas carrega 437 litros, número bom para um crossover compacto. Nota 8

Acabamento – O interior é racional, um tanto em excesso para um modelo que ultrapassa R$ 90 mil completo. Por compartilhar a base do Duster, o Captur herda boa parte da robustez inserida no interior do SUSUV. Com isso, o habitáculo não combina com o design mais moderno. Encaixes são bons e o material aparenta boa qualidade, mas os plásticos rígidos aparecem em toda parte. Nem todas as superfícies são agradáveis ao toque e há carros que custam a metade do preço e que se saem melhor nesse quesito. Nota 7

Design – Enquanto o Duster aposta no lado mais robusto dos SUSUVs, com aspecto quadradão, o Captur aposta em uma imagem mais elegante e moderna. A dianteira traz luzes diurnas de LEDLEDLED no formato de “C” ao redor dos faróis de neblina, que alongam a grade inferior. O capô tem dois vincos bem marcados e a traseira, com lanternas também de LEDLEDLED, tem ponteira do escapamento cromada e um friso cromado abaixo do porta-malas, que percorre quase toda a extensão do para-choque. A pintura em dois tons opcional dá um charme extra ao modelo. Nota 9

Custo/Benefício – O Renault Captur Intense custa R$ 88.490, mas chega a R$ 91.390 com todos os opcionais – na verdade, só há bancos em couro (R$ 1.500) e pintura em dois tons (R$ 1.400). Ele é cerca de 10% mais barato que as versões de topo do Hyundai Creta e do Honda HR-V e do Jeep Renegade Limited. Fica próximo dos valores cobrados pelo Ford Ecosport Titanium 2.0 e Chevrolet Tracker LTZLTZLTZ, mas também sai mais em conta. Até o Nissan Kicks SLSL, com motor 1.6 de 114 cv, custa R$ 91.900. O Captur tem preço vantajoso no segmento em que atua. Nota 8

Total – O Renault Captur Intense somou 77 pontos de 100 possíveis.

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