Caixinha do Gentil Negrão - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Caixinha do Gentil Negrão

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Perseu Gentil Negrão
Essa semana tomei a primeira “facada” de Natal. Um prestador de serviços “brandiu-me” uma lista, praticamente exigindo uma “espontânea” contribuição. Vai daí que me dei conta que o Natal está próximo e tive a ideia de também fazer a minha caixinha, cujo nome é “Caixinha do Gentil Negrão”.

Segundo a Bíblia, no nascimento de Jesus, os três Reis Magos levaram-Lhe presentes: ouro; mirra e incenso. Uma digressão. Se fossem “Rainhas Magas” seria diferente: chegariam a tempo para o nascimento (não teriam se perdido – mulheres não têm vergonha de perguntar); levariam coisas mais úteis (fraldas, leite, roupinhas); teriam dado uma “arrumadinha” na manjedoura, que estava “bagunçada”.

Contam os historiadores, que no século IV o bispo Nicolau levava presentes para crianças pobres. Daí surgiu a lenda do Papai Noel. O triste é que atualmente, por ocasião do Natal, poucos se lembram de Jesus; a maioria só venera o Papai Noel. Então, criaram as odiosas “caixinhas e listas de Natal”.

Na padaria, sobre o balcão, fica a “caixinha”. O balconista, com o rabo do olho observa. Se você não contribuir, no seu próximo pão, boa sorte.

Pior são as hediondas listas (ou extorsões) organizadas por manobristas, coletores de lixo etc. São nominais e a vítima tem que escrever a quantia (“voluntariamente”) oferecida. Sempre há um “trouxa” ou aproveitador que “contribui” com uma grande quantia. No ano passado vi uma aberta com R$ 400,00 (não briguei com o idiota, por espírito Natalino). Quem não “assina” sofre consequências terríveis.

Eu adoro o Natal, mas ODEIO as “caixinhas” e as listas, que consomem boa parte do minguado “décimo terceiro”. O pior é que o resto dele (e mais um pouco) será gasto com as “listas” de ano novo do governo: IPVA (para manter estradas “pedagiadas”) e IPTU (para conservação de belas e bem administradas cidades). Sem falar no “pacote de bondades” daquele Senhor do Planalto (muito bom para escolher ministros).

Como a crise está “feia” e lembrando que eu, fatalmente, serei extorquido por estas listas, peço aos meus leitores que colaborem com a “Caixinha do Gentil Negrão”, cuja arrecadação será utilizada para financiar as caixinhas e listas.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo

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