Cabeça a cabeça

Gê MoraesGosto tanto que até me enrosco quando ouço alguém dizer que gosta do que escrevo. Ah! Como é gratificante escrever e levar o homem a ler e ajudar o povo a pensar. Mexer com sua cabeça, clarear suas ideias, mostrar que a coisa não é assim, é assada. Que embora pareça engraçada, a vida precisa ser encarada com seriedade, e como tal deve ser levada e vivida, não como um cabeça-de-bagre medíocre, mas com uma cabeça forte, talentosa, inteligente, engenhosa, polivalente, formadora de opinião construtiva, que leva a pessoa a olhar o lado positivo da situação.

Que para se viver a vida com qualidade é mister vivê-la de cabeça fria, com calma de espírito, tranquilidade, serenidade. Pode-se até andar ao longo dela com a cabeça ao léu, sem chapéu, mas nunca de cabeça baixa, pois esse modo de proceder é coisa de suíno.

Que a vida qualitativa deve ser vivida de cabeça erguida, com orgulho, com altivez, não com aquele conceito elevado ou exagerado de si próprio, mas com sentimento de dignidade pessoal.

Que a vida deve ser levada numa boa, de cabeça aberta a novas ideias, novos conceitos, novos hábitos, pois ela é dinâmica e se renova a cada dia e, quem ficar sentado à margem da estrada vendo o carro do tempo passar, com certeza vai morrer na beira, sufocado pela poeira.

Que uma vida que valha a pena, não deve ser vivida como um cabeça-de-coco que vive a dar cabeçada a esmo, como faz o inocente cabrito-montês, muito menos como um cabeça-de-vento, amigo da leviandade, da imprudência, do estouvamento, mas como um cabeça-feita que sabe o que quer, que tem ciência de onde veio e sabe para aonde vai. Que entra de cabeça na luta e nela se empenha com energia, dedicação e dela só sai com a taça na mão.

Enfim, para que a vida tenha um sabor de quero-mais, deve ser vivida sem que se queira a cabeça de ninguém, mas com a cabeça no lugar com muito espaço para sorrir e amar.

Já dizia com muita sabedoria o marido de Maria Nazaré que a cabeça não foi feita só para usar o boné. E para completar, ainda dizia o seguinte: É tolo e comete dolo sábio de bico fechado, todavia é sábio o tolo que permanece calado.

Gê Moraes é cronista