Banda comemora 20 anos de uma ‘obra’ - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
Fechar

           CADERNO A

Banda comemora 20 anos de uma ‘obra’

Caderno A, Caderno A - Capa

  ‘Afrociberdelia’ deu a largada da Nação Zumbi para 20 anos de estrada / Foto: Divulgação

‘Afrociberdelia’ deu a largada da Nação Zumbi para 20 anos de estrada / Foto: Divulgação

Este ano marca duas décadas de “Afrociberdelia”, um disco obrigatório em listas dos melhores já feitos na MPB. A banda Nação Zumbi fará várias apresentações para celebrar uma obra que pode ser vista de duas maneiras.
Equivocadamente, pode ser lembrado só como último trabalho do pernambucano Chico Science, morto num acidente de carro em 1997 e que completaria 50 anos em 2016.

Seria o adeus de um cantor e artista excepcional, que aglutinava companheiros no que acabou sendo chamado de mangue beat, uma cena de mistura de rock e ritmos brasileiros nos anos 1990.

Mas foi, na verdade, a largada da Nação Zumbi para 20 anos de estrada, uma dezena de discos e sua afirmação como grupo mais difícil de rotular no pop nacional.
Outras bandas misturam rock com baião, eletrônico com MPB, isso com aquilo. A Nação faz diferente. Já sai tudo junto e misturado. Com o perdão do clichê de crítico, sai de forma “orgânica”.

“Não é muito pensado, a gente faz a música que se formou durante anos na cabeça, já está processada”, teoriza o guitarrista Lúcio Maia para a reportagem, durante intervalo de ensaios no bucólico Fábrica Estúdios, no Recife.
Maia estava com seus companheiros de banda na gravação de ‘Afrociberdelia’, o vocalista Jorge Du Peixe, o baixista Alexandre Dengue, o percussionista Toca Ogam e o baterista Pupillo -este o único que não participou, um ano antes, do primeiro álbum, “Da Lama ao Caos”.

No estúdio, o som de batuque tonitruante embasa o resgate do repertório do segundo disco. Para o grande público, a lembrança mais forte é a regravação de “Maracatu Atômico”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Com clipe, rodou muito na então incipiente MTV Brasil e virou o hit do mangue beat.

Depois de 20 anos, a banda vê o disco com o mesmo carinho ou faria muita coisa diferente hoje? Pupillo diz que o carinho permanece, mas querer mudar é natural. “Algumas músicas ficaram no nosso repertório, e fomos mudando o jeito de tocá-las nesses anos todos.”
Para Maia, é necessário um exercício de “sair do disco”. “Você criou aquilo, então você precisar se afastar e olhar de fora. Como pai, é difícil ver defeitos e qualidades num filho, mas a gente tem que fazer isso um dia.”

Compartilhe nas redes sociais...Share on LinkedInTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone