Aumento no roubo de cargas faz motorista redobrar segurança - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Aumento no roubo de cargas faz motorista redobrar segurança

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Vandir da Silva fica apreensivo quando para em cruzamentos à noite. (Foto: Eisner Soares)

Vandir da Silva fica apreensivo quando para em cruzamentos à noite. (Foto: Eisner Soares)

CARLA OLIVO
De um lado da cabine, o adesivo com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Do outro, o de São Jorge. Assim o mogiano Vandir Rodrigues da Silva, 46 anos – 28 deles como caminhoneiro -, sai da Cidade e segue viagem Brasil afora. Mas diante do aumento dos roubos de carga, além de fé, ele reforça medidas de segurança, como parar apenas em postos de combustíveis credenciados e movimentados, evitar circular por locais ermos e sem iluminação, tentar passar o sinal vermelho dos semáforos à noite ou de madrugada, quando não há equipamentos de fiscalização eletrônica, entre outras estratégias.

A apreensão é justificada no último levantamento da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP), que aponta elevação deste tipo de crime nas rodovias que cortam Mogi das Cruzes. O balanço revela o registro de 12 ocorrências entre janeiro e novembro de 2015 contra 17 (elevação de 17%) no mesmo período do ano passado.

“Graças a Deus nunca fui assaltado, mas recentemente, quatro colegas de trabalho foram alvos de bandidos na linha que vai até o Rio de Janeiro, onde há maior risco. “Todo cuidado é pouco. Deve-se fazer pausas para abastecimento, alimentação ou descanso apenas em postos credenciado e onde há movimentação. Quando vejo um sinal fechado fico apreensivo e, se houver possibilidade de passar e não existir fiscalização, procuro não parar, principalmente se for à noite ou de madrugada. Levo cargas de pão, que não são tão visadas, mas mesmo assim, nestes casos, o prejuízo chega a R$ 50 mil apenas com cestos e carrinhos para transporte, mais cerca de R$ 30 mil com a carga. O monitoramento via satélite ajuda mais na localização do caminhão, após o roubo, porque os bandidos conseguem bloqueá-lo”, conta Vandir da Silva, funcionário da Jaci Transporte e Logística.

Da mesma forma, Cristiano Alves, 38 anos, caminhoneiro desde 2002, trabalha preocupado. Ele sofreu assalto na Zona Leste da Capital, quando transportava uma carga de frios para a Sadia. “Eles entraram na cabine e levaram caixas de linguiça e salame. É uma situação muito complicada e tensa, mas ainda bem que não fizeram nada comigo”, destaca o motorista que hoje transporta produtos químicos pela Transal – Transportadora Salvan. “Apesar desta carga ser menos visada pelos marginais, estou sempre atento para evitar ser alvo dos criminosos, principalmente nas rodovias que cortam bairros mais perigosos”, diz.

Outro que dirige sempre apreensivo é o pernambucano da cidade de Vicência, Severino Miguel de Andrade, 59 anos, que desde 1989 mora em Guarulhos e já foi vítima de assaltantes há 15 anos. “Faz um bom tempo, mas não me esqueço deste dia. Transportava cobre e estava na Avenida do Estado, em São Paulo, quando fui assaltado. A sorte foi que me deixaram ali mesmo, avisei a empresa e o caminhão e a carga foram recuperados. Hoje, levo lata vazia, que não é produto visado, mas não paro em locais ermos, nem mesmo se tiver apertado para ir ao banheiro. Além disso, quando os bandidos rendem o motorista, já perguntam se o veículo é rastreado e o melhor é falar a verdade, porque eles só soltam a vítima após descarregarem os produtos e, se a empresa localizar o caminhão antes, pode-se perder a vida”, alerta.

Constantes
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística aponta o roubo de cargas como um dos principais problemas das rodovias brasileiras e revela que os produtos alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos, produtos químicos, têxteis, autopeças, combustíveis e bebidas são as cargas mais visadas pelos criminosos.

Segundo o diretor de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários de Mogi das Cruzes, Suzano e Região, Reginaldo Paccini, diante do aumento dos casos, os profissionais reforçam medidas de segurança, como viagens em comboio, e as transportadoras investem cada vez mais em sistemas de rastreamento via satélite. “No final e no início do ano é natural o aumento deste tipo de crime porque há maior circulação de dinheiro devido ao 13º salário, às compras de Natal e liquidações de janeiro. Mas quando o desemprego cresce, a criminalidade também aumenta. E Mogi é visada devido à boa localização, com acesso a rodovias como Ayrton Senna e Dutra, além do Rodoanel e do Porto de Santos. Por isso, dependendo do valor da carga, há empresas que até contratam a escolta armada para seguir o caminhão em toda a viagem”, revela Paccini.

A preocupação é constante nas transportadoras. De acordo com o gerente-geral de cagas da JSL, Paulo Colissi, a empresa cumpre rigorosamente o Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) para minimizar o risco de roubos. “Atuamos também com nossa equipe de gerenciamento de risco no monitoramento dos veículos através de ferramentas de rastreamento via satélite, que nos geram informações sobre a posição do veículo e nos permite ter condições de atuar preventivamente”, conta.



Ele destaca que os motoristas também são orientados sobre direção defensiva e o cumprimento às regras do PGR. “Sempre que necessário, realizamos reciclagem e reforçamos os cuidados que devem ter sobre as rotas mais inseguras. Também promovemos campanhas de segurança ao longo do ano visando a sua própria integridade e a segurança da carga”, detalha.

Combate
A Polícia Civil intensifica o combate ao roubo de carga nas estradas que cortam a Cidade, segundo o delegado assistente da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, Júlio Vaz Ferreira Neto. Ele destaca as ações do Núcleo de Roubo de Cargas, coordenado pelo delegado Alexandre Batalha, titular do 3º Distrito Policial, em César de Souza, e responsável pelo trabalho investigativo e prisão de integrantes de quadrilhas que atuam neste crime nas rodovias de Mogi e Região.

“O Núcleo criado há um ano e meio está ligado ao Setor de Inteligência da Polícia Civil e desenvolve este trabalho que resulta na prisão de quadrilhas com grande número de pessoas envolvidas nesta prática. Tivemos, inclusive, a prisão de criminosos que agiam em condomínios, a partir das investigações voltadas ao roubo de carga, que levam meses até chegar a todos os integrantes do bando e ao receptor, que absorve esta demanda”, explica Ferreira Neto.

Ele também destaca as operações mensais realizadas durante o período de 24 horas, com abordagem a veículos no combate aos roubos de carga e a constante fiscalização a desmanches, que consiste em uma atividade de campo para verificar este tipo de atividade, em parceria com o Detran (Departamento Estadual de Trânsito), da Polícia Militar e dos Municípios. “Estas fiscalizações são coordenadas pelo Dr. Evaldo (José de Melo) e também acontecem em estabelecimentos de venda de autopeças usadas legalizados pelo Detran para verificação do cumprimento de normas. Nestes casos, há a participação porque pode haver necessidade de lacração da atividade”, diz.

Outra medida de combate ao roubo de carga fica por conta das delegacias e distritos policiais da Região. “Eles também fazem operações e, mensalmente, enviam relatórios com as abordagens realizadas para detecção de ações voltadas ao roubo de carga. Além disso, está sendo criada em todo o Estado uma metodologia de trabalho nesta área a fim de garantir uma satisfação mais rápida às pessoas”, completa Ferreira Neto

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