As árvores-esqueletos, os macacos e as cotias... (parte 3) - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           MAURICIO DE SOUSA

As árvores-esqueletos, os macacos e as cotias… (parte 3)

Mauricio de Sousa

Acontece que as castanheiras são polinizadas por um inseto – um grande vespão negro chamado mangangá – que voa baixo e não consegue chegar até o topo das grandes árvores. Para isso, precisa de outras árvores menores como “escada”, até chegar ao alto da castanheira. Mas as “árvores escadas” não existem mais, num raio de milhões de quilômetros.

E as grandes castanheiras tornam-se estéreis. Vão durar seu tempo normal de vida – uns duzentos anos – e depois deixar de fazer parte da paisagem.

Só que mesmo este tempo normal de vida está ameaçado pelas queimadas, que fragilizam as castanheiras na sua base, nas raízes, provocando mais mortes, mais troncos esqueletos.

Uma tragédia anunciada. Com algumas tentativas de preservação em áreas protegidas, ainda remanescentes.

Mas nos campos pode-se fazer pouca coisa…

Ou… confiar que macacos e cotias trabalhem um pouco para o plantio de novas árvores.

É aí que, segundo a narrativa do governador, resta uma parte curiosa e até mesmo engraçada no meio da tragédia.

Acontece que em determinada época do ano, os grandes “ouriços” cheios de castanhas, como se fossem cocos, duríssimos, despencam do alto das árvores. E ai de quem esteja embaixo. Não sobra pra contar a história.

Normalmente o “ouriço” cai, quase que se enterra no chão e começa a ser atacado pela umidade, pelo tempo, pelas intempéries.



Continua duro, mais duro do que o coco, durante mais de um ano, até que, cedendo ao tempo, ao calor, abre um pequeno orifício no alto. Aí começa a atividade de alguns macacos que andam por perto.

(Continua na próxima semana)

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