Arborização em Mogi exige mais ação consciente

Especialistas alertam para a escolha de espécies adequadas e o acompanhamento das plantas para garantir vida-longa. (Fotos: Edson Martins)
Especialistas alertam para a escolha de espécies adequadas e o acompanhamento das plantas para garantir vida-longa. (Fotos: Edson Martins)

LARISSA RODRIGUES
Nos Parques Municipais e também em algumas avenidas de Mogi das Cruzes é possível observar atualmente a existência de novas árvores. Muitas delas fazer parte do projeto Mogi+Verde, que visa aumentar a cobertura verde da Cidade com 50 mil novas árvores até 2020. Especialistas alertam, entretanto, que estas ações devem ser feitas de maneira consciente e profissional, para que as plantas tenham vida-longa e realmente colaborem com o ecossistema.

Para o arquiteto e paisagista Miguel Campanelli, é importante que seja feito um acompanhamento. “É sempre bom frisar não apenas o que fazer para tornar a Cidade arborizada, mas também como isso vai ser feito. Não adianta plantar milhares de árvores se o crescimento e a evolução delas não forem acompanhados de perto. Se isso não é feito, elas existem agora, mas daqui cinco anos já não estarão mais saudáveis e vivas”, frisou.

Até mesmo a substituição das plantas deve ser feita com cautela, para que os problemas não voltem a acontecer. “Hoje vemos árvores que invadem a via, quebram as calçadas, alcançam os fios nos postes. É muito legal que elas sejam substituídas, mas é preciso estudar as espécies que serão colocadas naquele lugar ou até mesmo se o local suporta a raiz, os tamanhos das copas”, disse o biólogo Pedro Luís Batista Tomasulo.

Falando sobre benefícios que as áreas arborizadas trazem ao Município, Tomasulo afirma que elas são importantes para barrar a poluição e também os ventos que trazem bastante poeira. “Além dos vários motivos ambientais para se ter bastante árvore em uma cidade, elas também trazem um embelezamento ao lugar. Nesta época do ano é possível ver muitas delas floridas e isso deixa a vista muito mais agradável.

O biólogo lembra também que as plantas podem regular a temperatura: “Já foram feitos estudos no Instituto de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) que mostram que bairros arborizados da Capital têm uma variação entre 1º e 3º se comparados aos lugares sem árvores. Ou seja, elas podem tornar o local bem mais fresco”. Campanelli concorda e lembra que até mesmo nos parques é difícil encontrar sombras. “O certo seria que as caminhadas fossem feitas em corredores arbóreos, mas é comum ver cenas de mães passeando com bebês embaixo de muito sol, porque não encontram as sombras”, comentou.

Sobre o Centro de Mogi, os especialistas acreditam que as árvores devam existir, mas de maneira planejada. “Na região central existem alguns pulmões, como a Praça Oswaldo Cruz, a Praça João Antônio Batalha e o Largo do Rosário, mas ao longo dos anos o número de plantas foi diminuindo e hoje quase não vemos mais nada nestes lugares, o que é muito ruim. Estes pulmões são necessários”, alertou o arquiteto e paisagista.

“Eu sempre sou a favor da arborização, mas no Centro ela deve ser feita com cuidado. Com as calçadas estreitas, é preciso que seja tudo estudado e ponderado para cada ponto. Muitos lugares desta região não comportam árvores de grande porte, mas comportam arbustos que já ajudam bastante e dão um toque especial ao visual paisagístico”, disse Tomasulo. Campanelli finaliza dizendo que para que essas ações sejam realizadas é preciso contar com uma equipe de profissionais da área, que conte com agrônomos, biólogos e ambientalistas, que formulem e acompanhem de perto um projeto.

Natan Lira

Natan Lira

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