“Amanhecer…”

Galos cantam nas propriedades vizinhas.
Passarinhos dão rasantes perto da minha janela, avisando com seus trinados, assobios, gorjeios, que para eles o dia e a caça já começaram faz tempo.

Resolvo levantar mais cedo pra espiar a chácara acordando.

Quero ver restos da noite se esvaindo e recepcionar a luz, o dia, o sol.

O céu para os lados da Serra da Mantiqueira se tinge com pinceladas fortes de laranja e vermelho.

As árvores mais próximas fazem um contraponto com suas silhuetas negras.

A casa-sede com suas lâmpadas ainda ac

esas compete, durante algum tempo, com o clarão que vai surgindo no horizonte.

Mas logo em seguida, raios dourados inflamam as pontas das árvores, os galhos mais finos, e as cores se alteram. Ganham brilho.

Mais pra baixo, na descida para os lagos, as tonalidades de verde ainda estão sujas, sem contraste.

O morro onde fica a casa-sede impede e atrasa a chegada dos raios dourados.

O céu vai clareando aos poucos.

Há névoa sobre boa parte do lago. O que não impede que patos e marrecos atravessem as águas tranqüilamente.

Ao fundo, um “colar” de neblina mais pesada se encosta na ponte e compõe uma última visão da paisagem ainda com tonalidades lilases, antes da explosão da luz, do sol, das cores…

Bom dia, sol que chega.

Bom dia, vida que continua.