Acidente com Trem dos Estudantes ocorreu no mesmo dia, há 44 anos

Acidente ocorreu, também, em 8 de junho. (Foto: Arquivo/ O Diário)
Acidente ocorreu, também, em 8 de junho. (Foto: Arquivo/ O Diário)

DARWIN VALENTE
A história dos acidentes envolvendo estudantes universitários de Mogi das Cruzes nesta quarta-feira registra uma terrível coincidência: o desastre com o ônibus na ligação rodoviária Mogi-Bertioga ocorreu no mesmo dia – 8 de junho – em que, há exatos 44 anos, em 1972, aconteceu uma colisão envolvendo o Trem dos Estudantes e uma outra composição ferroviária, deixando o trágico saldo de 23 mortos e 65 feridos graves.

A manhã de horror teve início às 7h46, dois quilômetros depois da estação de Suzano, em direção a Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, como relatou, à época, o jornal O Diário:

“A composição UPE-2, conhecida como Trem dos Estudantes, havia deixado a Estação Roosevelt há quase uma hora, em um dia frio de muita neblina. Estava lotada. Pouco depois de ultrapassar Suzano, uma interrupção na energia elétrica fez com que ela parasse. Pela mesma linha, também em direção a Jundiapeba, circulava a composição Diesel SP-2, para a qual a interrupção da energia elétrica não significava qualquer problema.

Há 44 anos, morriam 14 estudantes, no mesmo 8 de junho. (Foto: Arquivo/ O Diário)
Há 44 anos, morriam 14 estudantes, no mesmo 8 de junho. (Foto: Arquivo/ O Diário)

Quando o trem diesel passou por Suzano, uma falha de comunicação não o reteve na plataforma. Àquele tempo, sem os controles automáticos de hoje, um trem só poderia deixar uma estação, no caso a de Suzano, se o que o antecedia (o dos Estudantes), tivesse passado pela estação seguinte (Jundiapeba). A falha de comunicação liberou, em Suzano, o Diesel SP-2 que, dois quilômetros à frente, foi bater em cheio na UPE-2. A neblina reduzia a visibilidade e no meio dos ferros retorcidos, morreram de imediato 17 pessoas, entre as quais 14 estudantes. Também a tripulação do Diesel SP-2, composta por dois maquinistas e um guarda de trem.

Em 20 minutos a notícia da tragédia deixava Mogi das Cruzes de sobressalto. De pronto, todos os hospitais da Cidade entraram em estado de emergência. Os atiradores do Tiro de Guerra passaram a controlar o acesso aos hospitais e a FAB providenciou a vinda de dois helicópteros para movimentar médicos e feridos. Os feridos graves eram 65, dos quais 6 morreriam depois. Até às 13 horas, atendendo apelos feitos pelas rádios locais, mais de 200 pessoas já haviam doado sangue nos hospitais de Mogi e na unidade móvel que a Colsan enviou à Cidade.

A ligação ferroviária entre São Paulo e Mogi ficou bloqueada até o dia seguinte; os trens só podiam trafegar entre São Paulo e Calmon Viana”.