A insegurança nas rodovias que cortam o Alto Tietê - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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A insegurança nas rodovias que cortam o Alto Tietê

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Motorista faz ultrapassagem proibida na Mogi-Bertioga. (Foto: Arquivo)

Motorista faz ultrapassagem proibida na Mogi-Bertioga. (Foto: Arquivo)

LUCAS MELONI
Motoristas precisam estar atentos quando trafegarem por rodovias que cruzam o Alto Tietê. Nas estaduais (Mogi-Dutra / SP-88, Mogi-Guararema / SP-66 e Mogi-Bertioga / SP-98), o serviço de guincho não funciona (a previsão é de que comece a ser restabelecido nesta segunda e esteja normalizado até agosto), não há telefones de emergência na extensão das estradas e na Presidente Dutra (BR-116), importante ligação rodoviária que conecta as duas principais capitais do País (São Paulo e Rio de Janeiro), não há mais policiamento rodoviário federal ostensivo.

O processo de concessão das rodovias que passam pelo Estado de São Paulo à iniciativa privada teve início no final da década de 1990 e melhorou a qualidade das ligações inter-regionais. O repasse às concessionárias de corredores volumosos e que demandariam grande custo por parte do poder público desonera a manutenção deles, permitindo aos governos que invistam em melhorias de outras estradas, ainda sob responsabilidade de órgãos públicos. Exemplos disso são as rodovias Mogi-Dutra, Mogi-Guararema e Mogi-Bertioga. Elas apresentam boas condições de tráfego, têm sinalização conservada e apenas alguns problemas. O caso mais evidente é o da SP-88 que precisa passar por obras de duplicação no trecho entre a Rodovia Ayrton Senna (SP-70), no Taboão, e o acesso à Dutra, já em Arujá. Dezoito empresas participaram da primeira parte da licitação internacional aberta pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER/SP), órgão ligado à Secretaria de Estado de Logística e Transportes. O valor da obra deve ser de cerca de R$ 121 milhões. A duplicação e modernização da estrada é um dos pontos de esperança do setor industrial para o desenvolvimento pleno do Distrito do Taboão. Outra reclamação, desta feita dos motoristas, é a falta de padrão nos limites de velocidade da via. Há limites diferentes em trechos muito próximos.

Em relação à segurança, a reportagem de O Diário conferiu como está a situação de quem percorre as três rodovias citadas no início deste texto. Na SP-88, logo após o trecho da Ayrton Senna, o jornal encontrou o engenheiro civil Carlos Alberto Gomes, de 70 anos, cujo carro apresentou problemas na bateria. “Eu seguia para Mogi quando o meu carro começou a falhar. Logo percebi que era a bateria que tava descarregada. Procurei algum telefone de emergência, mas não tem. O sinal de celular também é muito ruim, tem alguns pontos em que não pega. Liguei para o DER e a atendente me disse que não há guincho disponível. Precisei ligar para um amigo vir me resgatar. A sorte que foi durante o dia. Imagina se acontece durante a noite?”, comentou.

De fato, incidentes à noite costumam trazer riscos. Em meados de 2013 uma série de roubos e tentativas aconteceu em estradas estaduais do Alto Tietê. Em um destes casos, um operador de som da banda da cantora Luiza Possi morreu ao ser atingido por uma pedra após uma apresentação em Mogi das Cruzes.

Ao percorrer a Mogi-Dutra, a Mogi-Guararema e a Mogi-Bertioga é possível perceber a falta de recursos de segurança em situações de emergência aos motoristas. O caso mais preocupante é o da SP-98. A litorânea não tem sinal de celular em todo o trecho da Serra do Mar, mais de 10 quilômetros sem contato algum. E não há telefones de emergência.

Uma viatura da Polícia Militar Rodoviária fazia uma abordagem a veículos na Mogi-Guararema na tarde da última quinta-feira, altura do km 68. Foi o único sinal de policiamento na ligação do Alto Tietê com acesso ao Vale do Paraíba. A base do km seguinte, o 69 estava fechada. Quem passa pela rodovia Nicola Cappucci (SP-172/60), em Jacareí, no sentido Guararema, observa uma grande placa do DER com o telefone 0800 055 5510 para casos de emergência, mas quando liga é informado da ausência do serviço de guincho. O DER se pronunciou sobre o caso e diz que o problema esteja totalmente resolvido até o mês que vem.

De grande fluxo, a Dutra, tida como uma das melhores rodovias do Brasil pelos levantamentos especializados em logística, tem enfrentado uma realidade difícil, sobretudo, pela crise econômica e que pode refletir na segurança em toda a sua extensão. Nas reportagens anteriores, O Diário citava a BR-116 como exemplo de estrada com policiamento ostensivo presente, apesar das bases fixas serem mantidas fechadas. Houve uma redução de 44% no orçamento destinado à Polícia Federal (por extensão à Polícia Rodoviária Federal) e rondas e escoltas deixaram de ser realizadas. As operações, contudo, segundo o Comando de São Paulo acontecem e têm surtido efeito (leia mais nesta página). A PRF garante que a estrada não apresenta insegurança aos motoristas, apesar da diminuição do efetivo em circulação.

A segurança nas rodovias é alvo de constantes debates, em especial pelo transporte de cargas que elas recebem. Entre janeiro e junho de 2017, o número de roubos de carga chegou a 55 registros nas cidades de Arujá (37), Santa Isabel (16) e Guararema (2), por onde a Dutra passa na região. Estima-se que cerca de 40% das ocorrências sejam em estradas.



DER promete serviço de apoio
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/SP) garante que a partir de amanhã, segunda-feira, o serviço de atendimento ao usuário começa a ser normalizado nas rodovias sob sua administração na região de Mogi das Cruzes (Alto Tietê). A previsão é de que até agosto a situação esteja resolvida. Já a Polícia Federal Rodoviária informou que o patrulhamento reduzido não interfere em menos flagrantes e que a Presidente Dutra (BR-116) continua a ter atenção total do Comando. “O DER informa que o contrato para prestação de serviços de UBA – Unidade Básica de Atendimento na região de Mogi já foi assinado e os serviços serão restabelecidos na próxima segunda, 17. A expectativa do DER é que toda a frota de novos veículos de inspeção e guinchos esteja em operação em agosto/2017. Cabe ressaltar que não é atribuição do DER a implantação de antena para ampliação de sinal de celular nas rodovias”, trouxe a nota.

Já a PRF confirmou a redução nos patrulhamentos. “As rondas preventivas que ocorriam nos trechos foram reduzidas, talvez por isso não tenham encontrado viaturas circulando. Nenhum chamado está deixando de ser atendido. Toda emergência, seja denúncia criminal, acidente com vítima ou auxílio ao usuário de competência da PRF está sendo atendida normalmente. A PRF tem realizado a fiscalização nas bases fixas e nas praças de pedágios de acordo com planejamento operacional baseado em estatísticas. As fiscalizações continuam ocorrendo, só as rondas que foram reduzidas por conta do contingenciamento orçamentário, conforme nota. Inclusive nos últimos dias tivemos ocorrências criminais relevantes na região” , concluiu.

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