À espera da duplicação

O que se viu na ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Bertioga, durante as últimas horas, foi a repetição de cenas que estão se tornando rotina a cada feriado prolongado, ou nos finais de semana de temperaturas mais elevadas. Percorrer os 50 quilômetros que separam Mogi das Cruzes das praias da Baixada Santista tornou-se um verdadeiro sacrifício para muitos motoristas, os quais se viram presos num enorme congestionamento, que tomou conta de praticamente toda a estrada. Sob sol escaldante, famílias com crianças no interior dos carros viam o tempo passar, enquanto centenas de veículos permaneciam praticamente parados na enorme fila, que só crescia a cada momento.

As cenas repetidas durante boa parte do dia de ontem tornaram-se, igualmente, um problema a mais para as pessoas residentes em áreas próximas da rodovia, em Mogi das Cruzes. Moradores de localidades como Conjunto São Sebastião, Jardim Margarida, Vila Moraes e Biritiba Ussu estavam praticamente ilhados, impossibilitados de sair de suas casas e se dirigirem a Mogi ou alguma outra localidade próxima, já que era praticamente impossível ingressar na corrente de tráfego da Mogi-Bertioga, completamente atulhada de carros.

Todos esses verdadeiros dramas vividos pelos turistas que sonhavam com as praias, ou por moradores da vizinhança da rodovia, impedidos de sair de suas casas em direção ao Centro da Cidade são resultados da falta de algo que há muito tempo vem sendo reivindicado pelos mogianos e demais usuários da estrada: a duplicação da rodovia, tida como algo quase impensável por parte das autoridades estaduais, que colocam sempre as questões ecológicas como empecilhos intransponíveis para a realização de uma obra como essa.

Especialistas em rodovias, já ouvidos por este jornal, veem a questão de outra forma. Dizem que é possível criar a segunda pista, desde que seja feita sobre pilastras de concreto armado, de maneira a não devastar de forma mais crítica a vegetação de mata atlântica, característica da Serra do Mar, cortada pela rodovia. É óbvio que tal solução elevaria consideravelmente o valor de uma obra como essa. No entanto, medidas semelhantes já foram adotadas em estradas como as do Complexo Anchieta-Imigrantes, ou mais recentemente, na Rodovia dos Tamoios, entre São José dos Campos e Caraguatatuba, ainda em obras.

De uma forma ou de outra, o que falta realmente é vontade política para se resolver problemas como os vividos nas últimas horas, por muitos e muitos motoristas.

Quando isso, porventura, vier a ocorrer, soluções criativas serão encontradas e, quem sabe, não haverá mais a repetição de cenas como as que foram vistas ontem, numa rodovia que foi resultado da coragem de mogianos que bancaram sua abertura. A coragem que hoje falta aos atuais homens públicos do Estado para acabar de vez com o sofrimento de pessoas como as que ontem estavam paradas sob o sol escaldante, torcendo pelo fim do congestionamento, o que demorou muito a acontecer.

Natan Lira

Natan Lira

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