A Cidade do futuro

Na manhã de segunda-feira última, no Teatro Vasques, começou bem a apresentação pública da lei que irá revisar o Plano Diretor, em vigor desde 2006. Nos próximos meses, quem se interessa pelo futuro da Cidade terá a oportunidade de acompanhar as discussões sobre o crescimento e o desenvolvimento futuro de Mogi das Cruzes em reuniões e por meio do site da Prefeitura.

Durante o lançamento desse processo, os participantes puderam ouvir de especialistas algumas análises, opiniões, estudos e principalmente projetos adotados por grandes e médias cidades para atender aos interesses dos moradores e solucionar demandas urbanas, em áreas como mobilidade, trabalho e geração de renda.

Um dos conceitos mais fortes e atuais trata da apropriação do espaço urbano pelas pessoas. E a revisão pode conter regras e normas para a construção de uma Cidade para as pessoas. Para isso, elementos arquitetônicos (praças, calçadas, ciclovias, bancos, pistas para caminhada) e decisões devem ser tomadas com o foco de se ofertar meios de tornar a convivência na rua uma experiência segura, agradável, saudável.

A rua deixa de ser dos carros, que poluem e adoecem a população, e os espaços públicos são convidativos, como acontece em avenidas de cidades como Barcelona e Nova Iorque, que ampliaram as faixas para os pedestres e viram crescer o movimento nas lojas e comércios.

Essas e outras cidades como Seul, Paris e Moscou, contaram o secretário de Planejamento, Claudio de Faria Rodrigues, e o administrador de empresas Mauro Calliari, do blog Caminhadas Urbanas, implantaram soluções de convivência e agora estão medindo os benefícios sociais e econômicos da melhoria da qualidade de vida. Os calçadões da Paulo Frontin e da Flaviano de Melo miram essa realidade.

Sociólogos e planejadores urbanos defendem que a cultura dos muros, que separam os centros comerciais, condomínios e shoppings da rua, começa a ser revista porque não contribuem com a segurança ao criar barreiras físicas entre essas construções e as pessoas.

Essa é uma pequena parte do emaranhado de assuntos que o Plano Diretor pode gerir com a criação de instrumentos de proteção, preservação e ordenamento do crescimento populacional e do desenvolvimento econômico esperado para os próximos anos, quando Mogi pode chegar aos 800 mil, 1 milhão de habitantes – se assim desejar.

Temas como deslocamentos diários, geração de emprego e renda, competitividade, tecnologia e conectividade serão tratados nos próximos encontros.

A revisão da lei será um grande teste para a sociedade civil, que poderá opinar, sugerir e até mesmo se opor ao que não for de interesse da coletividade.

O que se espera de agora em diante é uma participação ativa e permanente da comunidade e seus representantes e que seja diferente da que ocorreu durante a apresentação do projeto de revisão do Plano Diretor quando boa parte das autoridades e lideranças deixou o Teatro Vasques de mansinho, logo após as primeiras exposições dos convidados e fotografias oficiais.

Natan Lira

Natan Lira

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